Ópera, o musical do passado

Comédias madrigalescas, intermezzi, singspiel, óperas bufas, operetas, teatro e cinema musicais.

Espetáculos como esses, que unem canto, música e teatro, voltados simplesmente ao entretenimento, sempre surgiram na história como reação a gêneros mais sérios, como as sinfonias sacras, óperas metastasianas ou a grande ópera do século XIX.

Nossa distância temporal desses espetáculos, tanto os sérios como os cômicos, nos faz apreciá-los, hoje em dia, de modo diverso ao de seus contemporâneos.

Entre os séculos XVIII e XIX, tanto a ópera como a opereta eram espetáculos consumidos como hoje se consome cinema e novela. Espetáculos de tinham apelo popular, mas hoje são "apreciados" como obras de arte atemporais, sacralizadas nos templos-teatros.

 

A estrutura musical desse gênero, de tão eficiente, foi mantida e reproduzida ao longo da história, e hoje está presente tantos nos espetáculos de teatro musical, quanto em desenhos animados para cinema. Assim, uma ópera contemporânea de Henze é igualmente neta das óperas de Puccini quanto o musical Rent ou Miss Saigon.

Os representantes do gênero teatro musical, que genericamente batizamos de operetas, sempre foram grandes catálogos de estilos musicais, que agregavam em sua linguagem aquilo que havia de mais moderno aos estilos musicais tradicionais, promovendo um envolvimento rápido e direto com o seu público.

 

Em outubro do ano passado, mesmo antes de assumir a direção da casa, fui convidado pelo TM a reger "O Morcego" e logo de início meu desejo, junto com o diretor William Pereira, foi de demonstrar essa junção de história e estilos que uma opereta apresenta. Se a partitura de O Morcego tivesse sido escrita em 1800, teria sido chamada de opera buffa, se o fosse durante o século XX, seria um musical. O que reforça seu caráter popular e cômico.

 

 

Nessa obra, tradicionalmente, no segundo ato, inserem-se números musicais os mais diversos. Nós também preparamos uma surpresa, que reflete essa flexibilidade que geralmente uma ópera “séria” não permite. A "história do galã sedutor que tenta enganar a esposa e que no fim é desmascarado por todos e se redime" não é original. Nem precisaria ser. O que importa é que seja um espetáculo para divertir e alegrar. Um espetáculo contemporâneo, que permita chamar a atenção para os fatos e idiossincrasias modernas.


"Chacun à son goût!"

Elaborado por Marcos Fecchio e desenvolvido por Comunic Publicidade.